Introdução

Implementação de Programa de Pesquisa e Extensão, por meio de Agentes Territoriais Participativos, de Pesquisa e Extensão Tecnológica, na perspectiva da Saúde e Segurança do Trabalho, e em subsídio ao processo de requerimento e habilitação do seguro-desemprego do pescador artesanal, nos termos da Lei n. 10.779/2003, como medida de proteção social ao pescador artesanal e como restrição do público alvo a ser atendido.

Este projeto está hospedado num conjunto de programas da Fundacentro sendo denominado Saúde e Segurança dos Povos das Águas.

Contextualização

A pesca artesanal é reconhecida não apenas como atividade econômica, mas como prática cultural e social enraizada nas comunidades tradicionais. Os pescadores artesanais são herdeiros de um vasto conhecimento tradicional sobre ecossistemas aquáticos, transmitido de geração em geração e fundamental para a sustentabilidade da atividade. Esse patrimônio imaterial reforça a importância de políticas públicas que valorizem saberes locais e promovam condições dignas de trabalho.

No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas estejam diretamente envolvidas com a pesca artesanal, contribuindo para a segurança alimentar e a manutenção de modos de vida tradicionais. Entretanto, estudos recentes destacam a precarização das condições de trabalho e a necessidade de fortalecimento da organização social dos pescadores. Essa realidade demanda estratégias inovadoras, capazes de aliar proteção social, sustentabilidade ambiental e inclusão produtiva.

A perspectiva da Inovação Social é central para este projeto. A inovação social surge quando novas práticas sociais são desenvolvidas para atender necessidades coletivas, produzindo impacto positivo na vida das comunidades. No caso da pesca artesanal, trata-se de promover soluções construídas com os próprios pescadores, respeitando sua cultura e fortalecendo sua autonomia.

A proposta articula conhecimento técnico-científico com práticas comunitárias, promovendo uma abordagem de desenvolvimento sustentável, equitativo e inclusivo. O fomento às tecnologias sociais também é outro ponto sensível ao programa. Tecnologias sociais são um conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a comunidade, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida.

As tecnologias apropriadas são caracterizadas por baixo custo de investimento, simplicidade organizacional, alta adaptabilidade a um determinado ambiente social ou cultural, economia no uso de recursos naturais, baixo custo do produto final ou alto potencial de emprego.

Estrutura de Governança do Programa
I - Equipe Nacional

Servidores da Fundacentro que atuarão como Coordenadores do Projeto; servidores do Ministério do Trabalho, também responsáveis pelo acompanhamento acerca do cumprimento da estratégia do Programa; e bolsistas pesquisadores, os quais integrarão a equipe de supervisão e orientação das atividades que serão desenvolvidas pelos Coordenadores Estaduais e Agentes Territoriais.

II - Equipe de Coordenação Estadual

Composta por servidores técnicos do MTE que já atuarão na gestão, pesquisa e acompanhamento do seguro-defeso, enquanto tal benefício esteve sob a competência da referida Pasta Ministerial. Além disso, essa equipe também será composta por bolsistas, a quem caberá prestar o apoio para o cumprimento da missão estratégica do Programa.

Os Coordenadores Estaduais constituem o elo de ligação entre a Equipe Nacional (que define a estratégia macro) e os Agentes Territoriais de Pesca Artesanal Locais (que executam as ações). São responsáveis pela articulação local/regional, visitas prévias aos locais, diagnóstico prévio das condições de trabalho, auxílio na definição das estratégias de comunicação do Programa, monitoramento das metas pactuadas, entre outras atividades.

III - Equipe de Agentes Territoriais

Composta pelos bolsistas que atuarão como Agentes Territoriais nos municípios, executando as atividades de atendimento, educação, multiplicação, coleta de informações, sistematização de dados, entre outras atividades pertinentes.

Descrição das Ações e Metas
MACROETAPA 00 - Planejamento e Preparação
1.1 - Definição da abrangência territorial
1.2 - Elaboração do instrumento de coleta
1.3 - Seleção da equipe técnica
1.4 - Capacitação da Equipe Técnica
1.5 - Georreferenciamento
MACROETAPA 01 - Atendimento Presencial, Delimitação do Público-Alvo e Integração de Dados
2.1 - Atendimento presencial aos pescadores artesanais - diagnóstico e delimitação do público-alvo do programa
2.2 - Integração de dados
Observação: O diagnóstico participativo vai além da coleta de dados, valorizando a escuta ativa e o reconhecimento das realidades locais. É fundamental que o processo seja participativo para viabilizar a assunção das metodologias pela comunidade beneficiária, valorizando a incorporação ou identificação de tecnologias sociais.
Observação 2: Qualquer externalidade atinente ao Programa deve obedecer à restrição de que o público-alvo é constituído, exclusivamente, por pescadores artesanais com cadastro atualizado. Externalidade compreende a oferta de serviços, cursos, análises e afins.
MACROETAPA 02 - Educação, Pesquisa e Extensão Tecnológica
3.1 - Formação inicial
3.2 - Oficinas de capacitação (Formação Cidadã em SST)
MACROETAPA 03 - Multiplicação de Conhecimentos, Supervisão e Apropriação de Tecnologias Sociais
3.1 - Multiplicação de conhecimentos
3.2 - Acompanhamento
MACROETAPA 04 - Consolidação e Divulgação de Achados Científicos
4.1 - Congresso Regional N/NE em SST da Pesca Artesanal
4.2 - Publicação de artigos científicos
4.3 - Relatório final
Resultados Esperados
Questionários aplicados junto aos pescadores artesanais requerentes do benefício do seguro-defeso nos cinco estados apontados no projeto como subsídio ao processo de requerimento e habilitação do seguro-desemprego do pescador artesanal, nos termos da Lei n. 10.779/2003.
Cadastro atualizado, e validado, de cerca de 680.000 (seiscentos e oitenta mil) pescadores artesanais nos cinco estados.
Desenvolvimento de tecnologia para dinamizar o envio de relatórios periódicos pelos pescadores sobre a atividade de pesca, com foco em solução georreferenciada que permita o adequado acompanhamento pela equipe do MTE.
Relatórios técnicos sobre condições de trabalho e saúde.
Formação de agentes territoriais com atuação efetiva nos territórios.
Divulgação de técnicas, conhecimentos e saberes com a população tradicional e os povos da pesca.
Fortalecimento da organização do trabalho e da mobilização social.
Ampliação da visibilidade e valorização da pesca artesanal.
Realização de um Congresso Regional para sistematização e compartilhamento dos aprendizados.
Publicação de artigos científicos.
Desenvolvimento de novas tecnologias sociais.
Equipe do Projeto
Coordenação do Projeto
Coordenador: Marcelo Alexandre de Vasconcelos
Coordenador Substituto: Luiz Antônio de Melo
Equipe Nacional
Listagem em elaboração...
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E-mail: pss6@fundacentro.gov.br